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Iguaracy Lavôr – 80 Anos da Fábrica de Brinquedos Estrela:

1 de novembro de 2017 by Iguaracy Lavôr

*Texto e fotos de arquivo do autor Iguaracy Lavôr.

FÁBRICA DE BRINQUEDOS ESTRELA:

Estrela

 
 
Razão social Manufatura de Brinquedos Estrela S.A.
Slogan A marca da diversão
Fundação 27 de junho de 1937
Fundador(es) Siegfried Adler
Sede São Paulo
Presidente Carlos Antonio Tilkian

 

Estrela (Manufatura de Brinquedos Estrela S.A.) é uma tradicional fábrica de brinquedos do Brasil, que tem como símbolo uma estrela de quatro pontas, uma espécie de rosa-dos-ventos, semelhante ao símbolo da OTAN.

HISTÓRIA:

A empresa foi fundada em 27 de junho de 1937, em São Paulo, no distrito de Belém, na Rua Marcos Arruda, e atualmente está localizada em outros endereços e conta com mais de quatrocentos produtos em sua linha.

No ano de 1944 a Estrela abriu seu capital para o mercado, sendo uma das primeiras empresas no Brasil a se tornar uma sociedade anônima. Na década de 40 apresentou o cachorro Mimoso, primeiro brinquedo de madeira com movimento e som fabricado no País, que fez grande sucesso na época. Logo depois vieram outras inovações como os jogos clássicos, Pega Varetas e Banco Imobiliário. As bonecas, que até o final dos anos 40 eram feitas em uma massa inquebrável, passaram a ser de plástico.

Nos anos 60 a linha foi ampliada com outros lançamentos inovadores, como a primeira boneca mecânica, a Gui Gui, que “ria” quando a criança abria e fechava seus braços e a Beijoca, que “soltava beijinhos”. A Estrela introduziu neste período outro conceito: o de fashion doll, com a Susi. Outra inovação importante da Estrela foi o lançamento dos brinquedos elétricos. Um dos mais marcantes foi o Autorama, uma marca registrada da Estrela, mas que em razão do enorme sucesso, virou sinônimo de brinquedos de corrida de carros.

Em 1970, a Estrela lançou os brinquedos de ação como o Falcon, primeiro boneco para meninos. O grande sucesso desta linha foi Falcon Olhos de Águia, que movimentava os olhos através de um botão na sua nuca. Em seguida veio a onda dos carros radio-controlados, que teve o Stratus como primeiro modelo, lançado em 1979. Em 1980, mais um marco de pioneirismo: a chegada do Genius, conhecido na época como “o computador que fala”, primeiro brinquedo do tipo no país. A eletrônica também foi incorporada às bonecas, que passaram a ser mais interativas em modelos como a Amore, de 1986. Em 1989, a Estrela expandiu suas atividades e inaugurou uma fábrica em Manaus, para onde destinou grande parte da produção de brinquedos de plástico.

Na década de 90, novas figuras de ação foram lançadas inspiradas pelo sucesso dos programas da TV, como o Comandos Em Ação, o Batman, o Super Homem e a linha completa de Star Wars. Nos anos 2000, inaugurou sua terceira fábrica, na cidade de Três Pontas, sul de Minas Gerais, gerando maior capacidade de produção para a marca.

A Casa dos Sonhos da Estrela, em São Paulo, era uma espécie de museu da fábrica, repleto de brinquedos que fazem e fizeram parte da infância das pessoas e onde o visitante era recebido por um urso gigantesco, com cinco metros de altura. A Casa dos Sonhos foi desativada em julho de 2006.

BRINQUEDOS:

  • Aquaplay
  • Banco Imobiliário
  • Blefe de Mestre
  • Cai Não Cai
  • Cara a Cara
  • Cilada
  • Colossus
  • Comandos Em Ação
  • Combate
  • Dentista
  • Detetive
  • Dinheiro do Mês
  • Espirograf
  • Falcon
  • Ferrorama
  • Genius
  • Hero Quest
  • Hipo Gula Gula
  • Jogo Aprendiz Universitário
  • Jogo da Mesada
  • Jogo da Vida
  • Jogo dos Conquistadores
  • Jogo Vira Letras
  • Lig 4
  • Maxi Cargo / Leva e Traz
  • Maximus
  • Mimoso
  • Pega Varetas
  • Pinote
  • Pula Macaco
  • Pula Pirata
  • Robô Ar-tur
  • Sem Censura
  • Stratus
  • Tapa Certo
  • Talento
  • Tribo das Palavras
  • Viravolta
  • Volkswagen Fusca – Bate-Volta

BONECAS:

  • Amiguinha
  • Amore
  • Andinha
  • Beijoca
  • Beijoquinha
  • Bug Bug
  • Candy
  • Espertinha
  • Feijãozinho
  • Gui Gui
  • Mãezinha
  • Manequinho
  • Nana Nenê
  • Prosinha
  • Soneca
  • Susi
  • Tagarela
  • Tippy
  • Topo Gigio
  • Tremendão
  • Quem me quer

A Estrela, fabricante de brinquedos brasileira, já produziu 25 mil artigos diferentes desde 1937.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

*Texto e fotos de arquivo da autora Glaucia Garcia de Carvalho (18-03-2014).

A Antiga Fábrica da Estrela:

“Toda história tem uma Estrela dentro do coração”

Quem hoje é adulto não tem como se esquecer de uma marca de brinquedos que deixou muitas de nossas melhores recordações da infância: A Manufatura de Brinquedos Estrela.

Esta fábrica fez parte da vida de várias gerações que cresceram brincando com a boneca AmiguinhaMenina Flor, as ChuquinhasAquaplay, além dos bonecos do Comandos em Ação, o famoso Genius, entre outros. Claro que não podemos esquecer os jogos de tabuleiro que fazem sucesso até hoje como o Jogo da VidaBanco Imobiliário e Detetive. E ainda os clássicos, Ferrorama e Autorama esse último assinado por pilotos como Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna e Nelson Piquet.

A Estrela foi fundada em 1937, no bairro do Belenzinho em uma modesta fábrica onde produzia-se bonecas de pano e carrinhos de madeira. Ao longo do tempo, a empresa cresceu e virou sinônimo de qualidade.

A empresa acompanhou o desenvolvimento do Brasil e cresceu junto com o país. Devido a sua expansão, a fábrica mudou para uma grande área no Parque Novo Mundo, bem na divisa de São Paulo com Guarulhos.

Este grandioso parque industrial chegou a ter mais de 1000 funcionários e contribuiu para que a Estrela fosse a primeira empresa no ramo de brinquedos a conseguir o certificado ISO 9001. Também foi uma das primeiras indústrias automatizadas e a primeira a introduzir o corte a laser no Brasil.

Tudo ia bem, a empresa funcionava a pleno vapor com várias filiais em São Paulo incluindo uma em Manaus, mas o que era um sonho de empreendedorismo brasileiro acabou ficando em uma situação delicada.

Na década de 90, o então Presidente da República Fernando Collor de Mello autorizou a entrada de produtos importados no Brasil. Vários países ingressaram no mercado nacional, principalmente os chineses, com preços bem mais em conta do que os praticados no mercado brasileiro. Este acontecimento caiu como uma bomba para várias empresas e a Estrela foi uma delas, era difícil competir com os produtos estrangeiros com a nossa injusta carga tributária. As demissões viraram uma tortuosa realidade e a lenta decadência da empresa começou a ocorrer. Em 2003, em apenas uma semana, 200 funcionários foram demitidos e a partir daí este número só cresceu.

A sede da empresa no Parque Novo Mundo fechou e hoje não pertence mais a empresa, que não tem mais nenhuma relação com a edificação. Entretanto, a história da Estrela passa, inevitavelmente, pelo bairro.  Hoje a “maternidade” de nossos brinquedos de infância encontra-se abandonada.

Descrever que o antigo complexo industrial está parecendo um cenário de guerra é a mais pura realidade. Um dos pilares de sustentação desabou, existe sujeira por todo os lados e o mato impera nas imediações da antiga fábrica. Os galpões estão completamente abandonados e parcialmente destelhados. Infiltrações e goteiras fazem parte do cotidiano em meio ao local insalubre. O lodo que se formou no chão torna-se um perigo para quem arrisca-se andar pelos galpões.

Ainda sobrevive uma área de entretenimento para os funcionários, onde há uma quadra poliesportiva coberta, porém, a estrutura está toda enferrujada e corre risco de desabar. A empresa também possuía um campo de futebol que acabou sumindo em meio a tanto mato e lama. Apenas a arquibancada, que está com a pintura nas cores da empresa um tanto desbotada, conseguiu sobreviver ao descaso do patrimônio.

Importante salientar que a Estrela não encerrou suas atividades, entretanto a fábrica foi transferida para diversas unidades menores. Ela continua tendo grande importância para a economia brasileira e, principalmente, no coração de várias gerações que jamais a esquecerá.

O abandono desta fábrica mostra também como a região do Parque Novo Mundo e arredores sofreu uma grande fuga de indústrias. Em um raio 3 quilômetros, além da Estrela existiam também a Biscoitos Duchen, a Phillips do Brasil e a fábrica da Rayovac.

NOTA DO EDITOR 19/03/2014:

Fomos procurados pela assessoria de imprensa da Brinquedos Estrela que nos pediu para esclarecer alguns pontos da reportagem, deixando claro que a empresa não tem mais qualquer relação com a fábrica do Parque Novo Mundo.

Esclarecendo, em nenhum momento o São Paulo Antiga culpou ou criticou a empresa, o que não é nossa missão ou objetivo, tanto que o título da matéria chama-se “A antiga fábrica da Estrela”, o que já dá a entender que não faz mais parte da companhia. Exercendo nossa liberdade de expressão, contamos uma parte da história de uma empresa que foi importante para o bairro e até hoje segue importante para o país. Temos profunda admiração e respeito pela marca, bem com as dezenas de leitores que deixaram comentário em nossa página.

Assim sendo, reproduzimos abaixo o depoimento do Diretor de Marketing da Estrela, Aires Fernandes, sobre a reportagem:

“A Brinquedos Estrela inaugurou as unidades fabris de Itapira (SP) e Três Pontas (MG) em 2003. Por uma questão estratégica, optamos por sair da cidade de São Paulo e dividir nossa produção em unidades menores. O prédio e o terreno no Parque Novo Mundo, citados na matéria de 18 de março de 2014, não são de propriedade da Estrela há mais de uma década, portanto, a associação feita pela reportagem não procede. Não aceitamos associar os problemas atuais da região à nossa marca, sendo que não temos mais qualquer tipo de responsabilidade com o que foi feito do terreno. Enquanto esteve no Parque Novo Mundo, a Estrela foi implacável com a manutenção das instalações e muito cordial no relacionamento com a vizinhança do bairro. Desejamos muita prosperidade à região, mas infelizmente não temos como intervir no que diz respeito a um terreno que há muitos anos já não é mais de nossa propriedade. Aires Fernandes,Diretor de Marketing da Brinquedos Estrela.”

ATUALIZAÇÃO 26/02/2015:

O galpão principal da antiga fábrica Estrela já não existe mais, foi demolido na semana do carnaval de 2015.

O famoso complexo industrial possuía vários galpões. Todos já estavam destelhados e algumas paredes possuíam várias rachaduras. Nos dias em que visitamos a demolição, parecia que estávamos dentro de um filme de guerra, em um cenário de total destruição.

O conceito de patrimônio (ou arqueologia) industrial é algo relativamente novo no Brasil. Ainda pouco estudado, a história do patrimônio industrial está unida diretamente ao processo produtivo de uma época.

No caso da antiga fábrica da Estrela, está ligada com as décadas de 1980 e 1990, onde os brinquedos à pilha tornaram-se populares e versáteis no país.

Enquanto o patrimônio industrial ainda está sendo pouco apreciado, teremos que conviver cada vez mais com demolições sem qualquer justificativa simbólica e histórica.

*Sobre a autora Glaucia Garcia de Carvalho:

Licenciada em História, é pesquisadora e professora da rede pública e particular em Guarulhos. É co-fundadora da Associação Guarulhos tem História e Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC). Co-autora dos livros “Guarulhos tem História” e “Guarulhos: espaço de muitos povos”.

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